13 de fevereiro de 2014, Jaraguá do Sul

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É quase fim de tarde, chego em mais um dos desafios diários para organizar e dar corpo a este lugar que ainda me é novidade.

A caminho da sala sou convocado para proporcionar uma atividade para as crianças que desceram de suas salas e estavam no saguão preparando-se para ser buscados pelos seus pais.

– Vamos lá, Marco! Têm um grupo de alunos te esperando para que possamos fazer alguma dinâmica musical e assim não os deixarem soltos. Vai ser bacana!

Aguardo na recepção da escola uma coordenadora para passar mais instruções e me direcionar ao grupo.

Logo menos aparece uma das professoras e fala:

– É você quem vai fazer a apresentação, né? Você é o novo professor de música, certo?

– Sim, prazer. Sou eu. Mas apresentação? Vou me apresentar ou propor uma atividade?

– Ah sim, é que eles não param de falar que querem ver a sua apresentação depois que falamos que vinha.

Fui direcionado para um grupo de 15 ou 20 crianças que, apenas com gestos de convite e com a ajuda das outras professoras, fomos os convencendo rapidamente de sentar.

É feita uma roda e me sento no centro. Ainda com gestos e sorrisos procuro olhar para cada um e passar boas vindas e confiança. E nessas horas que baixa um “clown” na gente.

A partir daí aparecem, do nada, mais uns 30 alunos que estavam espalhados no saguão e estes formam uma segunda roda em volta da primeira.

Começo a perceber que os rostos e sorrisos passaram a se multiplicar e eu, no centro, girando num 360° constante e feliz gesticulante.

Tudo em silêncio que é solicitado por gestos meus, em silêncio.

Os olhos todos voltados para mim. Nem um olho escapava do centro da roda.

Em um improviso baseado nas oficinas com grande número de pessoas que já vivenciei, iniciamos um batuque no peito marcado por palmas. Simples e vigoroso.

Tum, tum, pá…. Tum, tum, pá…

A sincronia ficava maior quanto começou a proposta de usar pequenos grupos do grande montante para fazerem outros elementos que complementam aquele ritmo base.

Nesse momento as professoras perceberam que estavam também sorrindo e fazendo aquela massa sonora junto com os pequenos.

Sorrisos e mais sorrisos.

Após a primeira proposta, iniciamos parte da peça “Numerologia”, de Pablo Trindade, e a grande roda ficou em pé para que fizéssemos este arranjo.

Risos, atenção, motivação, percepção de diversos elementos da música e, aos poucos, os pais foram chegando para pegar seus filhos.

Aqueles chegavam e ficavam olhando. Prestigiando e curtindo seus pequenos determinados a realizar a proposta sonora.

Do nada, sou abordado por um pequeno menino, com condições excepcionais, que me puxa pela camisa e me dá um abraço, um beijo, um obrigado e um tchau.

Ele foi precursor desta manifestação espontânea daquele momento que acabou sendo adotada por todas aquelas crianças que saiam da roda para ir embora.

Um atrás do outro, no decorrer da atividade, vieram me dar um abraço e um sorriso de agradecimento.

Após quase 50 abraços a roda começou a esvaziar e poucos ficaram.

Logo éramos quase 5 e, sentados em um banco, começaram a cantar e dançar comigo ao violão.

Praticamente um luau no banco do saguão da escola.

Quando todos foram embora, uma das professoras veio me cumprimentar e agradecer por aquele momento:

– Um aluno acabou de falar que te achou “fora da casinha” e que se divertiu muito. Disse a ele que por você ser “fora da casinha”, o fez se divertir e aprender.

Isso soou de forma doce e suave para aquele que estava ali propondo música e se sentindo o maior aprendiz daquela roda enorme que se fez em volta dele.

E em casa chego com uma vontade de fazer mais e mais origamis.

Educador musical, consultor e pesquisador, além de compositor e arranjador. Licenciado em Educação Artística com Habilitação em Música (UDESC) e Pós-Graduado em Educação Musical (CENSUPEG). Em Florianópolis (SC) atuou na cena de bandas autorais assim como em projetos e pesquisas sociais de música nos grupos Arrasta-Ilha, Balakubatuki e Siri-Goiá. Atualmente é educador em musicalização infantil, violão, canto, iniciação ao teclado e atua como regente do Grupo de Maracatu “Aurora do Vale” no município de Jaraguá do Sul (SC). É o formador oficial em Santa Catarina do coletivo de Educadores “Música e Movimento” com coordenação de Uirá Kuhlmann.

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